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sábado, 23 de fevereiro de 2013

A História de Lowi Avardan, parte 3





Parte 3 – Informações sobre meus amigos

Aqui falarei das informações que recebi, através de diversos meios, sobre as pessoas as pessoas que fizeram parte de minha história:

Melissa Avardan/Moonstar

Melissa Avardan/Moonstar
Você deve até pensar que seria estranho o fato de eu ter-lhe contado toda minha história e, em nenhum momento dela, haver citado que eu tenho uma irmã, não é, Silvana?

Bom, não falei dela porque nossos destinos eram bastante diferentes até a chegada os elfos de Alfheim, além disso, ela não é a única, tenho outros quatro irmãos, no entanto eles preferiram a vida tranquila nas bosques. Como eu lhe disse, muitos dos Callarii do interior de Radlebb foram à Rifllian para ajudar os refugiados. Melissa estava entre eles. Ela trabalhou durante muito tempo com plantas medicinais da floresta, desse modo seus serviços eram indispensáveis para todos aqueles que chegavam fatigados e feridos.

Após o primeiro momento, da chegada e dos cuidados que foram prestados à nossos irmãos imigrantes, iniciaram-se os preparativos para a instalação destes em Radlebb. Minha irmã, instalou-se em Rifllian. Disse-me que conheceu um mestre de Alfheim que ficou impressionado com suas habilidades e conhecimento.

 - Ele falou que meus conhecimentos serão muito úteis para as ciências da alquimia e da necromancia! – disse-me.

 - Necromancia? Alquimia? Estas são práticas muito perigosas, Lissa! Quem é esse mestre? Isso certamente não é conhecimento élfico! E muito menos dos elfos de Alfheim, que utilizam a magia pura e positiva – respondi-lhe.

Normalmente, meu comentário a teria deixado emburrada e sem falar comigo durante um ou dois anos (que para nós elfos são como curtas semanas), mas não foi o que aconteceu. Além desse misterioso mestre, Melissa começou a envolver-se amorosamente com Selleon. No início achei que estivesse apenas me provocando, tendo um pretexto para ir a minha tenda em Rifllian, mas não falar comigo. No entanto, preocupava-me o fato de que meu amigo estivesse realmente apaixonado por ela.

- Tua irmã é maravilhosa, meu caro Lowi – disse-me – ela consola-me de minha dor a ponto de fazer esquecer-me que a sinto. Que minha querida mulher, que agora descansa nos braços de Ordana, aceite e abençoe este novo amor e nos deseje felicidades até que retornemos à seiva da Grande Árvore Clestial. Melissa, astuta e espirituosa, é totalmente diferente de Oliviare, séria e devota. Nunca pensei que isso fosse possível.

- Tomes cuidado, Selleon. Melissa está muito diferente do que a conheço. A influência deste instrutor de quem ela tanto fala, mas que nem mesmo tu conheces a está afetando muito. Ela carrega um livro de magias agora, não carrega?

- Sim carrega. E até permitiu que eu assinasse meu nome em uma de suas páginas. Mas não se preocupe amigo Lowi. Ela disse-me há algumas semanas atrás que seu instrutor deixou Radlebb.

Por fim, minhas preocupações se concretizaram. Cerca de um ano antes de minha partida, Melissa desapareceu de Rifllian, supostamente em busca de seu mestre. Em nenhum local de Radlebb, à leste ou a à oeste da estrada do Rei era possível encontra-la. O pobre Selleon ficou desolado:

- Diga-me, estimado Lowi, será que Ilsundal ou outro imortal deseja que o sofrimento de minh’alma não tenha fim? É justo que um homem perca duas vezes o amor verdadeiro? Digo-o que a única coisa que ainda mantém minha vontade de viver é esperança de reencontrar minha pequena Airin - tal situação atrasou por algum tempo minha partida, como pode perceber, pois temia abandonar meu amigo neste estado.

Assim que minha jornada começou, foi muito difícil conseguir notícia sobre ela. A ordinária mudou seu nome, abandonando o de nossa família e aderindo ao de seu mestre: Moonstar. Costume comum entre os humanos, como fiquei sabendo após conhecer Liandra. No entanto seus feitos e seus companheiros são misteriosos assim como a existência de seu mestre. Alguns disseram que ela foi vista acompanhada de um homem que parecia com um criminoso thyatiano, que esteve foragido em Darokin por muitos anos, e um anão de Rockhome pouco conhecido das redondezas. Perguntavam sobre o caminho para o Baronato da Águia Negra, se não me engano, um lugar infame, assim como o nome sugere.

Rezo a Ilsundal para que minha irmã não cause problemas ao povo ou mesmo ao governo de Karameikos, seria uma grande desonra aos Callarii, que desde sua chegada têm tido o melhor dos relacionamentos com os humanos.


Nalied Lehuts e Erial del’Arnid

Veja só essa carta de minha colega! É uma pena que tenha tempo de responder à ela! Mas não importa, nos encontraremos em breve, quando formos a Mirros.

Mirros, 4 de Eirmont de 1012

Saudações meu caro colega Lowerdin Avardan

Fico extremamente feliz em receber notícias tuas. Vejo que tem praticado aquilo que Mestre Maylen nos ensinou e certamente Threshold e suas redondezas são um lugar melhor graças aos teus esforços e de teus amigos.

Como deves ter imaginado Mestre Maylen sentiu-se profundamente magoado com tua partida – imagino que mesmo com suas diferenças, tu eras o favorito de nosso mestre. Erial e eu tentávamos animá-lo, mas ele passava a maior parte do tempo em sua tenda, e algumas semanas depois deixamos de visita-lo.

Erial veio a mim e manifestou seu interesse em também deixar a Floresta de Radlebb. Disse-me que tu estavas certo, e se ele e eu desejássemos aumentar nossos poderes, não era sob os cuidados de Maylen que conseguiríamos. Isso fez-me sentir profundamente ofendida. Não estava interessada em aumentar meus poderes! Como Erial podia dizer-me tamanha estupidez? No entanto, sabia que meus objetivos em Radlebb estavam cumpridos.

Na semana seguinte, Erial e eu partimos na direção oposta à tua: para o sul. Deixamos uma carta à Mestre Maylen, mas não aguardamos sua resposta. Erial desejava aprender mais sobre a magia e desse modo estabeleceu-se na cidade de Krakatos, onde esperava ser admitido na recém-fundada Escola Karameikana de Artes Arcanas. Acompanhei-o até Krakatos, mas continuei ao sul até Mirros, de onde escrevo esta carta.

Soube da Guarda Élfica do Rei Stefan Karameikos e interessei-me em ingressá-la, uma vez que estando nela poderia prestar meus serviços não somente aos Callarii, mas também a todo o povo do Reino. Além disso, como tu bem me conheces, tenho grande afinidade pelas Organizações Militares.

Percebi, no entanto, que sendo a Guarda Élfica parte da 2ª Divisão das Forças Armadas de Karameikos, apenas soldados de elite a compõe. Por isso, passei a intensificar meu treinamento para o próximo recrutamento. Aprendi também que, infelizmente, nas sociedades humanos, sua família e sua proximidade com a Aristocracia define quem és. Isso tem sido minha maior dificuldade, pois tenho confiança em minhas habilidades, mas ainda não possuo contatos políticos importantes. Enfim, farei o possível ou encontrarei outro caminho.

Com relação à Erial, voltei à Krakatos na semana passada, um mês após nos separarmos. Procurei por ele na EKAA e um dos professores falou-me que não havia passado mais do que duas semanas na Academia. Disseram-me que Erial ria do quanto a magia dos humanos era rala e banal. Ele partiu então para um reino muito distante chamado Glantri, onde existe a maior escola de magias do mundo conhecido e onde todos os magos são esnobes como ele. Desde então não tive mais notícias sobre nosso colega.

Armânia (essa é a égua élfica de Nali) sente muita falta de Radlebb... Acho que todos nós sentimos. Ela também pergunta sempre de ti e de Erial, talvez seu instinto natural a faça perceber mais claramente aquilo que Maylen no disse sobre manter as Relíquias de Ildossar juntas. Mas ela tem sido uma boa companheira – a maioria dos humanos daqui são de origem Thyatiana, parecidos comigo, tu deves pensar, mas ainda assim difíceis de se relacionar.

Bom Lowi, é isto que tenho a contar-lhe. Tomes cuidado ao adentrar Alfheim e que Ilsundal o proteja.

Espero reencontramo-nos em breve.

Nalied Lehuts

Nali e Armânia

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A História de Lowi Avardan, parte 2


Parte 2 – A grande tragédia

A história de nosso mestre Maylen nos causou, obviamente, um grande espanto. Agora eu e meus colegas possuíamos as Relíquias de Ildossar, um presente encomendado pelo Imortal Mealiden para um presente à Lady Callarii. Éramos agora os guardiões do Clã Callarii.

Durante uma década e meia Erial, Nali e eu continuamos nossa vida em Rifllian. Trabalhávamos como defensores da cidade contra góblins e alguns ladrões que vez ou outra assaltam os comerciantes da cidade. Por opção, escolhemos não espalhar a história das Relíquias de Ildossar. Não queríamos que uma história nos fizesse heróis, queríamos ser reconhecidos como tais. Mestre Maylen também continuou na aldeia, mas agora, era raramente visto, apenas eu e meus colegas o visitávamos alguma vezes por ano.

Foi numa ventosa tarde outonal de Ambyrmont que vivi o momento mais infeliz de minha vida. O vento soprava lentamente, como se a própria terra estivesse em luto. E então, vimos uma enorme silhueta no crepúsculo. Eram nossos irmãos de Alfheim que chegavam a nós Callariis, buscando aconchego. Os elfos que habitavam Rifllian, mesmo aqueles que eram ricos comerciantes, pararam imediatamente o que estavam fazendo e correram para o horizonte para ajudar seus semelhantes. Naquele dia, cerca de trezentos elfos chegaram à Rifllian, e mais duzentos chegaram nas semanas que se seguiram.

Ajudei a um homem de aparência jovem, que aparentava ser apenas algumas décadas mais velho que eu. Ele era forte e de aparência saudável, mas seu corpo estava coberto de feridas. Carreguei-o até minha tenda, mas quando ia sair para buscar alguém que pudesse lhe prestar melhores cuidados, ele segurou meu braço e disse:

 - Deixe que os curandeiros daqui cuidem dos outros primeiro.

Ao ouvir tal pedido, voltei-me e sentem ao seu lado. Tratei de seus ferimentos da melhor maneira que pude, como Maylen me ensinou. Quando terminei achei que estava adormecido, mas para minha surpresa ele disse:

Selleon como o encontrei
 - A quem tenho a honra de conhecer?

 - Meu nome é Lowerdin Avardan – respondi, um pouco assustado – agora descanse, meu caro...

 - Selleon. Selleon Ivorein.

No dia seguinte, sai de minha tenda e fui direto à morada de Mestre Maylen. Rifllian estava desoladora. Havia refugiados por todo o local, o comércio estava parado e muitos outros elfos que viviam no interior da floresta de Radlebb vieram para prestar assistência aos imigrantes. Mestre Maylen estava hospedando uma família conhecida sua. Disse-lhe:

 - Mestre, precisamos fazer algo!

 - Já estamos fazendo o que está ao nosso alcance, Lowi – respondeu-me.

 - Tal injustiça precisa ser reparada. Alfheim é sua terra natal, mestre! Podemos reunir os guerreiros Callarii de toda Radlebb e talvez até o próprio duque Thyatiano que governa essas terras nos preste assistência. Em um mês, talvez dois, poderemos nos agrupar e marchar para Alfheim!

 - As coisas não são tão simples assim, Lowi. A tragédia que se abateu sobre Alfheim é de proporções nunca antes vistas. Não seja tolo, rapaz, ajude às pessoas que chegarem e estará fazendo muito por elas.

Sai da tenda de Maylen sem dizer mais nada e quando voltei à minha, encontrei Selleon tentando se levantar e empurrei-o de volta para a cama. O elfo aceitou a contragosto. Depois que lhe dei algo para comer, contou-me sua história. Disse que Alfheim está em guerra com os elfos das sombras há mais de meio século. A magia que protegia o reino era pouco a pouco dissipada à medida que o inimigo avançava. Os Drows, como se chamavam esses elfos, lutavam em número assombroso, usando magia destrutiva poderosa e comandando criaturas infernais que habitavam as profundezas. Toda a floresta mágica de Canolbarth fora corrompida e agora havia somente desolação.

 - Minha família é de Feador, ao leste do reino. Eu trabalhava como mensageiro e já viajei a todos os limites de Canolbarth. Também lutei para proteger minha cidade natal, mas minha mulher, fora o primeiro alvo dos invasores. Ela e todos os outros clérigos de Feador foram mortos por uma enorme criatura que não ouso nem mesmo descrevê-la. Minha pequena filha, Airin, fora capturada pelos malditos drows. Juntei-me à uma comitiva que fugia para uma terra que ainda chamávamos de Traldar, onde há séculos a tribo de Lady Callarii se estabelecera. Estavam todos esperançosos de que nossos irmãos nos receberiam bem, e felizmente, assim o foi.

Selleon hospedou-se em minha tenda e nos tornamos grandes amigos. Ele me deu muitos detalhes sobre a invasão Drow e situação de Alfheim. Em mim, crescia cada vez mais a vontade de fazer algo. Não sabia dizer exatamente o que queria. Sabia que não podia vencer os Drows sozinho, mas não podia ficar parado. Tinha de ir à Alfheim. No entanto, mesmo com essa determinação, passaram-se ainda alguns anos antes que tomasse minha derradeira decisão.

 - Você está louco! – gritou-me Maylen batendo a caneca com vinho na mesa, após me ver com a espada na bainha e a mochila pronta para viagem, Erial e Nali lançavam-me também olhares com um misto de reprovação e surpresa – você vai morrer logo que pisar em Alfheim! Além do mais, você possui uma das Relíquias de Ildossar, não podemos permitir que ela caia em mãos inimigas. Mais do que isso, as Relíquias devem permanecer juntas!

 - Então venham todos comigo! Tenho certeza que se estivermos juntos podemos fazer algo por Alfheim. Se ficarmos aqui parados não é que não estaremos fazendo nada – respondi.

 - Sua motivação é nobre, Lowi, mas não pode ser tão impulsivo. Vai cometer uma grande loucura! – disse-me Erial.

 - E ainda tem coragem de convidar-nos para a morte certa! – disse-me Nali.

Durante mais de uma hora, Maylen e meus colegas tentarem me convencer desistir desta ideia. Mas naquela mesma noite, deixei um recado à Selleon em minha tenda e parti. Nos primeiros dias de minha viagem vaguei perdido pelas florestas e colinas de Karameikos. Sentia muito medo, mas não podia voltar. Desejava profundamente que meus amigos tivessem vindo.

O treinamento de Maylen me preparou para diversas situações em uma viagem ou aventura, mas é somente quando se caminha com as próprias pernas que se aprende de verdade. Após uma semana de caminhada nos campos karameikanos cheguei à um pequeno vilarejo chamado Verge. Lá conheci Alex e ser desprezível (que eu infelizmente só iria perceber muito mais tarde) chamado Lom. Foram os primeiros companheiros que tive em minha jornada e isso acalmou meu espírito.


Um dos locais em Alfheim como Selleon me descreveu, no entanto, hoje está totalmente corrompida
O resto você já conhece, minha querida Rubi. Viajamos durante algum tempo pelas áreas rurais e silvestres do reino, onde o mal se manifesta até mesmo nas menores formas. Não imagino que isso tenha me atrasado de minha missão para com meus irmãos de Alfheim, sinto profundo prazer em ajudar as pessoas que encontro em meu caminho, como a jovem traladarana, aspirante à Espada de Halav, que sonhou com um unicórnio em perigo. Havia também o povo que tinha seu dinheiro extorquido por aquele maléfico gnomo. Marna a fugitiva dos Drows; o mercador Juster, sequestrado pelo Anel de Ferro; Bertrak, Teobaldo e outros que sofreram com a maligna bruxa. Tenho certeza que tudo isso deixou-me mais forte, e aproximou-me mais de minha missão.

domingo, 23 de dezembro de 2012

A História de Lowi Avardan


Parte 1 – A vida nas Florestas de Radlebb

Minha cara Rubi... Não acha que essas almofadas de tecidos Ylaruanos são um luxo desnecessário para nossa modesta base de operações? Tudo bem! Entendo seu bom gosto, sentemo-nos nelas e contar-te-ei minha história. Imagino que tenha lido meus últimos registos, não? Eles são importantes para entender minha história. Como coloquei, os Elfos Callarii são descendentes do clã liderado pela magnífica Lady Callarii que abdicou de seu amor, o Imortal Mealiden, em nome do povo élfico que não podia seguir viagem. Meus ancestrais chegaram nesta terra num momento em que o povo traladarano vivia o período conhecido como Era Negra. De fato, talvez aquele momento também fosse uma era negra para os elfos.

A tribo de Lady Callarii se instalou nas florestas de Radlebb, onde plantou nossa Árvore da Vida, da qual falarei em uma oportunidade futura. Por isso, até hoje, a maior parte dos Elfos Callarii nasce no interior dos bosques. Há, como você deve ter imaginado, goblins por lá. Nossos pais se preocupam bastante com fato e por isso os casos de ataques goblinóides à crianças elfas são muito raros – mas acontecem. No entanto, nesses meus poucos cento e oito anos nunca ouvi nenhum caso grave.

Nossa infância é muito similar aos contos de fadas e sonhos dos humanos. No interior da floresta brincamos de esconde-esconde com as pixies de asas coloridas, que não têm mais de trinta centímetros de altura. Aprendemos sobre o este e outros mundos ouvindo as belíssimas narrativas e canções dos sátiros. E os centauros ensinam-nos sobre as plantas e os animais, principalmente sobre os cavalos. Por volta dos nossos cinquenta ou setenta anos atingimos a maioridade e partir de então começamos a buscar nossos próprios caminhos. É como acordar de um sonho que durou uma vida inteira. Cada um busca a profissão com que mais se identifica. Alguns se tornam patrulheiros das florestas, outros se tornam criadores de cavalos ou agricultores. Poucos se tornam comerciantes ou aventureiros.
A infância dos Elfos Callarii em meio as fadas é indescritível como um sonho

Eu acreditava que estava destinado a ser um silvicultor, como meus pais, plantando as belíssimas árvores da floresta que produzem madeira, raízes e seiva de ótima qualidade. Para nós elfos, as árvores crescem como num piscar de olhos. No entanto, em uma de minhas visitas à Rifllian, principal posto comercial dos Elfos Callarii que conheci Maylen Silverbow, um famoso aventureiro de Alfheim que iria se estabelecer na região por algum tempo.

- É isso mesmo que entendeu, meu jovem, – disse-me Maylen com seu jeito espalhafatoso, colocando os pés sobre a mesa da taberna e acendendo um cachimbo avermelhado – tirarei umas férias de algumas décadas aqui em Radlebb e gostaria de ensinar um pouco do que aprendi para alguns Callariis jovens que sejam especiais.

- E o que faz o senhor pensar que sou especial? – perguntei um pouco confuso.

- Com isso me preocupo eu – respondeu o aventureiro após uma longa baforada – de qualquer forma, penso em começarmos imediatamente, isto é, daqui uma ou duas semanas. Mas se aceitar preciso que já fique comigo até lá, envie portanto um mensageiro a seus pais, comunicando-os de sua decisão.

Maylen Silverbow: um mestre
que é exigente no treinamento mas
empre mantém o bom humor
Essa foi certamente uma proposta que me pegou de surpresa. Percebi, mais tarde, que outros jovens  sentiam profunda inveja de mim – afinal não havia pedido para ser aprendiz do famoso Maylen, fora escolhido por ele. O fato que eu nunca ter me destacado em nenhuma atividade em particular deixou-os ainda mais irritados. Como lhe disse, a vida de aventuras não era o que esperava para mim. É claro que ficava empolgado quando ouvia histórias de heróis locais como Brielae ou Ethrin, ou mesmo do próprio Maylen, mas nunca me imaginei sendo o personagem principal destas histórias. Por fim, aceitei e, semanas depois, conheci meus colegas de tutela.

A primeira deles era Nalied Lehuts, ou apenas Nali, como a chamávamos. Possuía um espírito corajoso e dedicado. Era extremamente perfeccionista, disciplinada e muito dura consigo mesma. Montava cavalos élficos desde criança e com habilidade maior do que de costume. Meu outro colega era Erial del’Arnid, dono de um conhecimento invejável para a maioria dos anciãos. Seu grande fascínio era a magia. Em sua infância, as fadas da floresta lhe ensinaram segredos há muito tempo guardados. Teve também acesso a livros de civilizações antigas de Mystara, o que fazia com que as pessoas suspeitassem dele, mas estava sempre à procura de mais.

Como pode perceber, meus colegas sim eram representantes excepcionais da raça élfica, e eu em nada me assemelhava com eles. Levantei esse fato para meu mestre após meus frequentes fracassos nos primeiros meses de treinamento:

- Ora Lowi, pois é exatamente nisso que você se diferencia de seus colegas – disse-me Maylen – por acaso não percebe que sua humildade e força de vontade fazem com que você tenha um coração de ouro? Veja por exemplo, Nali, sua agilidade e força são fenomenais, mas sua disciplina excessiva à deixa cega para as coisas que são realmente importantes. Erial, nem se fala, às vezes sinto que ele tem uns quatrocentos anos a mais que eu, tamanho o seu conhecimento, no entanto sua extrema ambição e arrogância já o colocaram e possivelmente o colocarão em outros apuros. Entenda da seguinte forma, Lowi, estou aqui para treinar seu corpo e sua mente. Com relação aos outros estou aqui para treinar seus corações.

Após esse dia passei a me sentir melhor, meu treinamento finalmente começou a dar resultados e pouco a pouco me aproximava do nível de meus colegas. Aprendemos o uso de armas de diversas espécies, magias para todas as situações, leitura de autores elfos e humanos, sobrevivência em situações adversas (principalmente em cidades, que são ambientes muito selvagens para nós elfos), enfim, toda uma infinidade de habilidades que um aventureiro ou defensor deve possuir.

Após uma década de treinamento duro, nosso mestre achou que era hora de nos recompensar pelo esforço dedicado, fato que o fazia sentir-se muito satisfeito:

- Podem interpretar isso como uma “formatura” se isso os agrada – disse-nos Maylen, abrindo uma grande arca que ficava no canto mais desorganizado de sua tenda – mas vocês realmente me impressionaram neste breve tempo que passamos juntos.

Ele retirou do baú três objetos e colocou-os sobre a mesa. Eram armas que pareciam pertencer a uma era antiga e sentíamos que eram imbuídas de grande poder. Após algumas palavras para cada um de nós, falando do quanto aprendemos, Maylen entregou-nos as armas. Deu o arco à Nali, o cajado a Erial e a espada para mim.

- Estas são as Relíquias de Ildossar – prosseguiu Maylen – encontrei-as em minha última aventura em Alfheim, onde infelizmente perdi meus dois companheiros. Em meu desespero por perder meus amigos de tantas aventuras tive vontade de amaldiçoar e destruir estes objetos. Mas antes que pudesse fazê-lo, tive o momento mais incrível de minha vida. O próprio Imortal Mealiden Starwatcher manifestou-se para mim e contou-me a seguinte história:

Erial del'Arnid com sua Relíquia de Ildossar.
“Ó magnífico guerreiro da terra que fundei, abençoado sejas tu por ter encontrado as Relíquias de Ildossar. Pois saibas tu, que esta história nunca fora antes contada. Logo que chegamos à Alfheim, encomendei a Ildossar, meu melhor artífice, que forjasse as mais poderosas armas para que pudesse presentear minha querida Callarii. Os guerreiros que usassem tais armas seriam exímios representantes do Clã Callarii, um grupo de elite, defendendo sua líder e seu povo. No entanto, antes que o artífice pudesse me entrega-las, ele fora assassinado por um elfo das sombras e as relíquias se perderam. Agora, Maylen, tu as encontraste! Leve-as aos Callarii e encontre guerreiros dignos de usá-las”

- Mealiden me incumbiu de encontrar aqueles dentre os Callarii que merecessem possuir as Relíquias de Ildossar. Vocês três são agora seus donos. Conheçam seus poderes e usem-nas com sabedoria. As notícias de Alfheim começam a chegar aqui, o Elfos das Sombras retornaram e agora nosso reino místico está em perigo. Esse é o melhor momento para que os guerreiros das Relíquias de Ildossar ressurjam!

domingo, 2 de dezembro de 2012

Carta de Lowi Avardan a Sellon Ivorein


Threshold, 11 de Eirmont de 1012 (calendário thyatiano)

Caro amigo Selleon Ivorein (Elfo de Alfheim),

Perdoa-me pela demora em mandar-te notícias, Selleon. Acontece que somente agora me estabeleci com firmeza e recursos suficientes para planejar os próximos passos de minha missão.

Como é de teu conhecimento, passaram-se dois meses desde que parti (Ambyrmont) de Rifllian após ouvir sobre a tragédia que assolou a ti e teus companheiros. Encontrei em minha breve jornada amigos pelos quais daria minha a vida e que também dariam a deles por mim. Creio que vale a pena citar seus nomes, pois seguramente tornar-se-ão personalidades notáveis de Karameikos e talvez até mesmo de Mystara.

Falo primeiro do jovem mais corajoso que já conheci. Afirmo que mesmo que alguém seja um dia tão bravo quanto Alex TinderOwl de Verge, nunca será como ele. Logo que parti, pousei em Verge por dois ou três dias e nesse tempo assisti a um interessantíssimo costume do povo traladarano – o chamado Rito da Fenda, uma cerimônia simples, porém carregada de significado. O rapaz deve retornar à sua família, quando construir seu nome. Falei-lhe de meus objetivos e ele aceitou acompanhar-me de muito boa vontade, pois reconhecia a nobreza dessa empreitada e a necessidade por se fazer justiça. Alex e eu passamos a maior parte do tempo juntos, ora aprendendo um com o outro, ora defendendo a vida um do outro.

A região possui mais comunidades silvestres do que imaginava, onde vivem humanos e diversas espécies feéricas. Num deles, pude encontrar Darius, o paciente. Sempre me comovo quando vejo um humano que escolhe dedicar toda a sua vida ao meio-ambiente. Nós elfos vivemos em comunhão com a floresta, mas retiramos nossa verdadeira força da magia. Aprendi com Darius que a natureza tem poder tanto para a destruição como para a proteção e penso que os elfos poderiam voltar-se mais a isso. Conhecemos há uma semana outro druida, que vive no pequeno povoado de Eltan’s Spring. Seu nome é Bertrak e, no memento, ele e Darius trabalham juntos para restaurar a vegetação próxima ao povoado que foi destruída por uma ignóbil bruxa.

Há também Silvana Rubi, uma admirável traladarana por quem admito sentir algo mais do que mera amizade. Ela é formosa, astuta, sedutora e conhecedora da magia. Minhas mãos até tremem um pouco enquanto escrevo sobre ela. Ainda desconheço seus objetivos e aspirações, mas ela tem demonstrado crescente interesse em mim e meus amigos, talvez ela também esteja se comovendo pela causa élfica.

Não poderia também deixar de falar de Sorian Valonir, um irmão Elfo. Conheci-o há três dias, e o valoroso patrulheiro salvou minha vida, mesmo tendo a consciência de que ao fazê-lo, estaria se desviando de sua missão. Tenho-lhe muita gratidão. Sua origem me é desconhecida, mas suas feições são Callari. Sua família não dever ser de Rifllian nem de Radlebb, caso contrário eu o conheceria. Acredito que este novo amigo se mostrará um fiel companheiro de aventuras.

Conheci também Liandra Beleren, uma estudante da Escola Karameikana de Artes Arcanas. Sei que se trata de uma boa pessoa, mas a situação em que nos encontramos e a maneira como se porta levanta suspeita de minha parte. Tenho várias perguntas das quais ela sempre encontrar um meio de se esquivar – possivelmente o que a ensinam na academia. Qual o interesse da EKAA nessas redondezas? Como os magos humanos frequentemente enxergam a magia como forma de poder, usando-a para propósitos vis, ficarei de olhos bem abertos sobre Liandra.

No entanto, não conheci apenas amigos nestes dois meses. Karameikos está, infelizmente, infestada de perigos e criaturas malignas. Goblins espreitam atrás das árvores os viajantes incautos, trabalhando para seres mais poderosos, como a bruxa que mencionei. Conheci um gnomo que usava magia para criar um troll ilusório e cobrava pedágio dos transeuntes de uma ponte. Há também um halfling com quem viajei por alguns dias – um grande aproveitador que se porta de maneira desleixada e inconsequente, a vadiagem é seu modo de vida.

E há também um terror maior que todos esses – o Anel de Ferro – uma guilda de escravocratas que sequestram e vendem pessoas para o exterior. Nossas atividades em Threshold têm afetado seus negócios criminosos, mas não se aflija Selleon, temos meios para combatê-los. Uma organização como esta certamente conta com o apoio político e se beneficia dos ambientes urbanos humanos. No entanto, este é um tema ainda delicado, pois Aleena, co-governadora da cidade têm nos dado muito apoio, e é possível até que estejamos a poucos passos de nos encontrarmos pessoalmente com seu tio, o Barão de Halaran. O melhor será não nos envolvermos na política de Threshold por hora.

Com relação à nossa missão, tenho feito alguns progressos significativos. Descobri que nas florestas próximas à Threshold há um túnel que aparentemente se conecta com Alfheim. Ajudamos uma mulher fugitiva que provavelmente era escrava dos Drows. Infelizmente, nós a encontramos num estado lastimável e creio que sua mente sofreu fortes abalos pelo seu quebranto e sua fuga. Hoje ela vive feliz com as fadas da floresta. Mas nos preocuparemos com isso mais tarde.

Na semana passada, conversei com Madame Cardia, uma mercadora daqui de Threshold que disponibiliza um serviço bastante útil: viagens de tapete voador. Negociei com ela duas viagens para Alfheim em troca de um artefato que encontrei. Sei que ainda não será possível fazer muito coisa, mas o conhecimento da situação e a eventual oportunidade de ajudar outros fugitivos valerão a pena. Por sinal, Madame Cardia disse que seria grande ajuda possuir um mapa para adentrarmos Alfheim. Peço a gentileza de que elabore algo dessa natureza para mim, Selleon, junte-se com seus companheiros e tente fazê-lo de maneira mais detalhada possível – eu o agradeceria muito.

Sobre Melissa, ainda não encontrei muita informação. Eu também fiquei muito preocupado quando ela inventou aquela história de buscar por seu misterioso professor de magia. Ouvi falar que ela também viaja acompanhada de um grupo – espero que sejam amigos fiéis como os meus – e que adotou o sobrenome de seu suposto mestre: Moonstar. Mas não se preocupe meu caro Selleon, não imagino que se trate um amante. É um costume humano que os alunos, depois de aceitos por seus mestres adotem seu nome para mostrar que são seus protegidos. No entanto, como deve ter notado, Moonstar é um nome élfico. Sim... isso também me deixa perplexo.

Essas são as notícias que tenho por hora, meu amigo. Continuarei trabalhando em minha missão e nos encontraremos em breve, assim que retornar de Alfheim. Aguardo tua resposta (não se esqueça do mapa, por favor, um rascunho já será útil), envie-a para o antigo moinho da Ilha Fogor, em Threshold. Desejo-te e aos seus companheiros força e perseverança nessa reconstrução de vossas vidas.

Lowerdin Avardan