Parte 1 – A vida nas Florestas de Radlebb
Minha
cara Rubi... Não acha que essas almofadas de tecidos Ylaruanos são um luxo
desnecessário para nossa modesta base de operações? Tudo bem! Entendo seu bom
gosto, sentemo-nos nelas e contar-te-ei minha história. Imagino que tenha lido
meus últimos registos, não? Eles são importantes para entender minha história.
Como coloquei, os Elfos Callarii são descendentes do clã liderado pela magnífica
Lady Callarii que abdicou de seu amor, o Imortal Mealiden, em nome do povo
élfico que não podia seguir viagem. Meus ancestrais chegaram nesta terra num
momento em que o povo traladarano vivia o período conhecido como Era Negra. De
fato, talvez aquele momento também fosse uma era negra para os elfos.
A
tribo de Lady Callarii se instalou nas florestas de Radlebb, onde plantou nossa Árvore da Vida, da qual falarei em uma oportunidade futura. Por
isso, até hoje, a maior parte dos Elfos Callarii nasce no interior dos bosques.
Há, como você deve ter imaginado, goblins por lá. Nossos pais se preocupam
bastante com fato e por isso os casos de ataques goblinóides à crianças elfas
são muito raros – mas acontecem. No entanto, nesses meus poucos cento e oito
anos nunca ouvi nenhum caso grave.
Nossa
infância é muito similar aos contos de fadas e sonhos dos humanos. No interior
da floresta brincamos de esconde-esconde com as pixies de asas coloridas, que
não têm mais de trinta centímetros de altura. Aprendemos sobre o este e outros
mundos ouvindo as belíssimas narrativas e canções dos sátiros. E os centauros
ensinam-nos sobre as plantas e os animais, principalmente sobre os cavalos. Por
volta dos nossos cinquenta ou setenta anos atingimos a maioridade e partir de
então começamos a buscar nossos próprios caminhos. É como acordar de um sonho
que durou uma vida inteira. Cada um busca a profissão com que mais se identifica.
Alguns se tornam patrulheiros das florestas, outros se tornam criadores de
cavalos ou agricultores. Poucos se tornam comerciantes ou aventureiros.
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| A infância dos Elfos Callarii em meio as fadas é indescritível como um sonho |
Eu
acreditava que estava destinado a ser um silvicultor, como meus pais, plantando
as belíssimas árvores da floresta que produzem madeira, raízes e seiva de ótima
qualidade. Para nós elfos, as árvores crescem como num piscar de olhos. No
entanto, em uma de minhas visitas à Rifllian, principal posto comercial dos
Elfos Callarii que conheci Maylen Silverbow, um famoso aventureiro de Alfheim
que iria se estabelecer na região por algum tempo.
-
É isso mesmo que entendeu, meu jovem, – disse-me Maylen com seu jeito
espalhafatoso, colocando os pés sobre a mesa da taberna e acendendo um cachimbo
avermelhado – tirarei umas férias de algumas décadas aqui em Radlebb e gostaria
de ensinar um pouco do que aprendi para alguns Callariis jovens que sejam
especiais.
-
E o que faz o senhor pensar que sou especial? – perguntei um pouco confuso.
-
Com isso me preocupo eu – respondeu o aventureiro após uma longa baforada – de
qualquer forma, penso em começarmos imediatamente, isto é, daqui uma ou duas
semanas. Mas se aceitar preciso que já fique comigo até lá, envie portanto um
mensageiro a seus pais, comunicando-os de sua decisão.
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| Maylen Silverbow: um mestre que é exigente no treinamento mas empre mantém o bom humor |
Essa
foi certamente uma proposta que me pegou de surpresa. Percebi, mais tarde, que outros
jovens sentiam profunda inveja de mim – afinal não havia pedido para ser
aprendiz do famoso Maylen, fora escolhido por ele. O fato que eu nunca ter me
destacado em nenhuma atividade em particular deixou-os ainda mais irritados. Como
lhe disse, a vida de aventuras não era o que esperava para mim. É claro que
ficava empolgado quando ouvia histórias de heróis locais como Brielae ou
Ethrin, ou mesmo do próprio Maylen, mas nunca me imaginei sendo o personagem
principal destas histórias. Por fim, aceitei e, semanas depois, conheci meus
colegas de tutela.
A
primeira deles era Nalied Lehuts, ou apenas Nali, como a chamávamos. Possuía um
espírito corajoso e dedicado. Era extremamente perfeccionista, disciplinada e
muito dura consigo mesma. Montava cavalos élficos desde criança e com
habilidade maior do que de costume. Meu outro colega era Erial del’Arnid, dono
de um conhecimento invejável para a maioria dos anciãos. Seu grande fascínio
era a magia. Em sua infância, as fadas da floresta lhe ensinaram segredos há
muito tempo guardados. Teve também acesso a livros de civilizações antigas de
Mystara, o que fazia com que as pessoas suspeitassem dele, mas estava sempre à
procura de mais.
Como
pode perceber, meus colegas sim eram representantes excepcionais da raça
élfica, e eu em nada me assemelhava com eles. Levantei esse fato para meu
mestre após meus frequentes fracassos nos primeiros meses de treinamento:
-
Ora Lowi, pois é exatamente nisso que você se diferencia de seus colegas –
disse-me Maylen – por acaso não percebe que sua humildade e força de vontade
fazem com que você tenha um coração de ouro? Veja por exemplo, Nali, sua
agilidade e força são fenomenais, mas sua disciplina excessiva à deixa cega
para as coisas que são realmente importantes. Erial, nem se fala, às vezes
sinto que ele tem uns quatrocentos anos a mais que eu, tamanho o seu conhecimento,
no entanto sua extrema ambição e arrogância já o colocaram e possivelmente o
colocarão em outros apuros. Entenda da seguinte forma, Lowi, estou aqui para
treinar seu corpo e sua mente. Com relação aos outros estou aqui para treinar
seus corações.
Após
esse dia passei a me sentir melhor, meu treinamento finalmente começou a dar
resultados e pouco a pouco me aproximava do nível de meus colegas. Aprendemos o
uso de armas de diversas espécies, magias para todas as situações, leitura de
autores elfos e humanos, sobrevivência em situações adversas (principalmente em
cidades, que são ambientes muito selvagens para nós elfos), enfim, toda uma
infinidade de habilidades que um aventureiro ou defensor deve possuir.
Após
uma década de treinamento duro, nosso mestre achou que era hora de nos
recompensar pelo esforço dedicado, fato que o fazia sentir-se muito satisfeito:
-
Podem interpretar isso como uma “formatura” se isso os agrada – disse-nos Maylen,
abrindo uma grande arca que ficava no canto mais desorganizado de sua tenda –
mas vocês realmente me impressionaram neste breve tempo que passamos juntos.
Ele
retirou do baú três objetos e colocou-os sobre a mesa. Eram armas que pareciam
pertencer a uma era antiga e sentíamos que eram imbuídas de grande poder. Após algumas
palavras para cada um de nós, falando do quanto aprendemos, Maylen entregou-nos
as armas. Deu o arco à Nali, o cajado a Erial e a espada para mim.
-
Estas são as Relíquias de Ildossar – prosseguiu Maylen – encontrei-as em minha
última aventura em Alfheim, onde infelizmente perdi meus dois companheiros. Em
meu desespero por perder meus amigos de tantas aventuras tive vontade de amaldiçoar
e destruir estes objetos. Mas antes que pudesse fazê-lo, tive o momento mais
incrível de minha vida. O próprio Imortal Mealiden Starwatcher manifestou-se
para mim e contou-me a seguinte história:
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Erial del'Arnid com sua Relíquia de Ildossar.
|
“Ó
magnífico guerreiro da terra que fundei, abençoado sejas tu por ter encontrado
as Relíquias de Ildossar. Pois saibas tu, que esta história nunca fora antes
contada. Logo que chegamos à Alfheim, encomendei a Ildossar, meu melhor
artífice, que forjasse as mais poderosas
armas para que pudesse presentear minha querida Callarii. Os guerreiros que
usassem tais armas seriam exímios representantes do Clã Callarii, um grupo de
elite, defendendo sua líder e seu povo. No entanto, antes que o artífice
pudesse me entrega-las, ele fora assassinado por um elfo das sombras e as
relíquias se perderam. Agora, Maylen, tu as encontraste! Leve-as aos Callarii e
encontre guerreiros dignos de usá-las”
-
Mealiden me incumbiu de encontrar aqueles dentre os Callarii que merecessem
possuir as Relíquias de Ildossar. Vocês três são agora seus donos. Conheçam
seus poderes e usem-nas com sabedoria. As notícias de Alfheim começam a chegar
aqui, o Elfos das Sombras retornaram e agora nosso reino místico está em
perigo. Esse é o melhor momento para que os guerreiros das Relíquias de Ildossar ressurjam!



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