domingo, 23 de dezembro de 2012

A História de Lowi Avardan


Parte 1 – A vida nas Florestas de Radlebb

Minha cara Rubi... Não acha que essas almofadas de tecidos Ylaruanos são um luxo desnecessário para nossa modesta base de operações? Tudo bem! Entendo seu bom gosto, sentemo-nos nelas e contar-te-ei minha história. Imagino que tenha lido meus últimos registos, não? Eles são importantes para entender minha história. Como coloquei, os Elfos Callarii são descendentes do clã liderado pela magnífica Lady Callarii que abdicou de seu amor, o Imortal Mealiden, em nome do povo élfico que não podia seguir viagem. Meus ancestrais chegaram nesta terra num momento em que o povo traladarano vivia o período conhecido como Era Negra. De fato, talvez aquele momento também fosse uma era negra para os elfos.

A tribo de Lady Callarii se instalou nas florestas de Radlebb, onde plantou nossa Árvore da Vida, da qual falarei em uma oportunidade futura. Por isso, até hoje, a maior parte dos Elfos Callarii nasce no interior dos bosques. Há, como você deve ter imaginado, goblins por lá. Nossos pais se preocupam bastante com fato e por isso os casos de ataques goblinóides à crianças elfas são muito raros – mas acontecem. No entanto, nesses meus poucos cento e oito anos nunca ouvi nenhum caso grave.

Nossa infância é muito similar aos contos de fadas e sonhos dos humanos. No interior da floresta brincamos de esconde-esconde com as pixies de asas coloridas, que não têm mais de trinta centímetros de altura. Aprendemos sobre o este e outros mundos ouvindo as belíssimas narrativas e canções dos sátiros. E os centauros ensinam-nos sobre as plantas e os animais, principalmente sobre os cavalos. Por volta dos nossos cinquenta ou setenta anos atingimos a maioridade e partir de então começamos a buscar nossos próprios caminhos. É como acordar de um sonho que durou uma vida inteira. Cada um busca a profissão com que mais se identifica. Alguns se tornam patrulheiros das florestas, outros se tornam criadores de cavalos ou agricultores. Poucos se tornam comerciantes ou aventureiros.
A infância dos Elfos Callarii em meio as fadas é indescritível como um sonho

Eu acreditava que estava destinado a ser um silvicultor, como meus pais, plantando as belíssimas árvores da floresta que produzem madeira, raízes e seiva de ótima qualidade. Para nós elfos, as árvores crescem como num piscar de olhos. No entanto, em uma de minhas visitas à Rifllian, principal posto comercial dos Elfos Callarii que conheci Maylen Silverbow, um famoso aventureiro de Alfheim que iria se estabelecer na região por algum tempo.

- É isso mesmo que entendeu, meu jovem, – disse-me Maylen com seu jeito espalhafatoso, colocando os pés sobre a mesa da taberna e acendendo um cachimbo avermelhado – tirarei umas férias de algumas décadas aqui em Radlebb e gostaria de ensinar um pouco do que aprendi para alguns Callariis jovens que sejam especiais.

- E o que faz o senhor pensar que sou especial? – perguntei um pouco confuso.

- Com isso me preocupo eu – respondeu o aventureiro após uma longa baforada – de qualquer forma, penso em começarmos imediatamente, isto é, daqui uma ou duas semanas. Mas se aceitar preciso que já fique comigo até lá, envie portanto um mensageiro a seus pais, comunicando-os de sua decisão.

Maylen Silverbow: um mestre
que é exigente no treinamento mas
empre mantém o bom humor
Essa foi certamente uma proposta que me pegou de surpresa. Percebi, mais tarde, que outros jovens  sentiam profunda inveja de mim – afinal não havia pedido para ser aprendiz do famoso Maylen, fora escolhido por ele. O fato que eu nunca ter me destacado em nenhuma atividade em particular deixou-os ainda mais irritados. Como lhe disse, a vida de aventuras não era o que esperava para mim. É claro que ficava empolgado quando ouvia histórias de heróis locais como Brielae ou Ethrin, ou mesmo do próprio Maylen, mas nunca me imaginei sendo o personagem principal destas histórias. Por fim, aceitei e, semanas depois, conheci meus colegas de tutela.

A primeira deles era Nalied Lehuts, ou apenas Nali, como a chamávamos. Possuía um espírito corajoso e dedicado. Era extremamente perfeccionista, disciplinada e muito dura consigo mesma. Montava cavalos élficos desde criança e com habilidade maior do que de costume. Meu outro colega era Erial del’Arnid, dono de um conhecimento invejável para a maioria dos anciãos. Seu grande fascínio era a magia. Em sua infância, as fadas da floresta lhe ensinaram segredos há muito tempo guardados. Teve também acesso a livros de civilizações antigas de Mystara, o que fazia com que as pessoas suspeitassem dele, mas estava sempre à procura de mais.

Como pode perceber, meus colegas sim eram representantes excepcionais da raça élfica, e eu em nada me assemelhava com eles. Levantei esse fato para meu mestre após meus frequentes fracassos nos primeiros meses de treinamento:

- Ora Lowi, pois é exatamente nisso que você se diferencia de seus colegas – disse-me Maylen – por acaso não percebe que sua humildade e força de vontade fazem com que você tenha um coração de ouro? Veja por exemplo, Nali, sua agilidade e força são fenomenais, mas sua disciplina excessiva à deixa cega para as coisas que são realmente importantes. Erial, nem se fala, às vezes sinto que ele tem uns quatrocentos anos a mais que eu, tamanho o seu conhecimento, no entanto sua extrema ambição e arrogância já o colocaram e possivelmente o colocarão em outros apuros. Entenda da seguinte forma, Lowi, estou aqui para treinar seu corpo e sua mente. Com relação aos outros estou aqui para treinar seus corações.

Após esse dia passei a me sentir melhor, meu treinamento finalmente começou a dar resultados e pouco a pouco me aproximava do nível de meus colegas. Aprendemos o uso de armas de diversas espécies, magias para todas as situações, leitura de autores elfos e humanos, sobrevivência em situações adversas (principalmente em cidades, que são ambientes muito selvagens para nós elfos), enfim, toda uma infinidade de habilidades que um aventureiro ou defensor deve possuir.

Após uma década de treinamento duro, nosso mestre achou que era hora de nos recompensar pelo esforço dedicado, fato que o fazia sentir-se muito satisfeito:

- Podem interpretar isso como uma “formatura” se isso os agrada – disse-nos Maylen, abrindo uma grande arca que ficava no canto mais desorganizado de sua tenda – mas vocês realmente me impressionaram neste breve tempo que passamos juntos.

Ele retirou do baú três objetos e colocou-os sobre a mesa. Eram armas que pareciam pertencer a uma era antiga e sentíamos que eram imbuídas de grande poder. Após algumas palavras para cada um de nós, falando do quanto aprendemos, Maylen entregou-nos as armas. Deu o arco à Nali, o cajado a Erial e a espada para mim.

- Estas são as Relíquias de Ildossar – prosseguiu Maylen – encontrei-as em minha última aventura em Alfheim, onde infelizmente perdi meus dois companheiros. Em meu desespero por perder meus amigos de tantas aventuras tive vontade de amaldiçoar e destruir estes objetos. Mas antes que pudesse fazê-lo, tive o momento mais incrível de minha vida. O próprio Imortal Mealiden Starwatcher manifestou-se para mim e contou-me a seguinte história:

Erial del'Arnid com sua Relíquia de Ildossar.
“Ó magnífico guerreiro da terra que fundei, abençoado sejas tu por ter encontrado as Relíquias de Ildossar. Pois saibas tu, que esta história nunca fora antes contada. Logo que chegamos à Alfheim, encomendei a Ildossar, meu melhor artífice, que forjasse as mais poderosas armas para que pudesse presentear minha querida Callarii. Os guerreiros que usassem tais armas seriam exímios representantes do Clã Callarii, um grupo de elite, defendendo sua líder e seu povo. No entanto, antes que o artífice pudesse me entrega-las, ele fora assassinado por um elfo das sombras e as relíquias se perderam. Agora, Maylen, tu as encontraste! Leve-as aos Callarii e encontre guerreiros dignos de usá-las”

- Mealiden me incumbiu de encontrar aqueles dentre os Callarii que merecessem possuir as Relíquias de Ildossar. Vocês três são agora seus donos. Conheçam seus poderes e usem-nas com sabedoria. As notícias de Alfheim começam a chegar aqui, o Elfos das Sombras retornaram e agora nosso reino místico está em perigo. Esse é o melhor momento para que os guerreiros das Relíquias de Ildossar ressurjam!

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