segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Diário de Dar Inberlon, parte 2


Diário de Dar Inberlon
Fonte: Glantri, Kingdom of Magic, TSR, 1995 (Folhetos 7B e 7C)
Tradução livre de Thiagaum

Legenda:
Negrito:          Nomes de Reinos do Mundo Conhecido
Sublinhado:    Organizações ou personalidades políticas importantes
Azul:               Nomes de Principados/Clãs
Verde:             Regiões geográficas
Laranja:           Cidades importantes



2 de Sviftmont: Glantri City é uma maravilha! Construída sobre a confluência de dois grandes rios, é uma cidade mais de canais do que de ruas. Barqueiros chamados gondoleiros conduzem suas gôndolas através desses canais levando pessoas onde quer que elas desejem ir por algo em torno de 10 pennies (Glantrianos usam o penny de cobre, o soberano de prata, o ducado de ouro e a coroa de platina como moedas. As coroas possuem o valor de 50 ducados, pois dizem que aquelas possuem poderes mágicos - Eu não entendo a natureza dessa magia, mas elas de fato brilham naturalmente!). Calçadas de pedra - quase todas as construções são de pedra aqui – estendem-se ao lado a maioria dos canais, degraus levam até o nível da água cerca de 1 metro e meio abaixo das entradas dos edifícios. A maioria das lojas e casas está dois ou três degraus mais altos e todos têm uma incrível quantidade de ornamentação. Gárgulas com rostos com olhares aterrorizantes e outras imagens perturbadoras parecem ser, infelizmente os favoritos por aqui.

A não ser que você escolha caminhar, a melhor maneira de se deslocar pela cidade é contratando os serviços dos Gondoleiros. Estes barqueiros dos canais cobram dos clientes um penny para cada cem jardas de viagem; eles julgam a distância através de marcadores vermelho-e-brancos colocados em intervalos dos canais.

Uma cidade sem ruas não é lugar para cavalos então eu tive que alojar os nosso na periferia da cidade. Como o meu dever nesta jornada é cuidar dos animais para este grupo de comerciantes agora me sinto muito inútil para eles. Oh, bem, eu estou feliz por ter tanto tempo livre. Eu verifico os cavalos apenas uma vez por dia, à noite antes de eu ir dormir.

Explorando a capital, percebi que a condição dos prédios e calçadas varia muito de acordo com a parte da cidade ou "quadrante" que visito. Hoje eu dei uma volta pelo Quadrante do Porto, pelo Quadrante dos Mercadores (obviamente onde meus amigos passam a maior parte do tempo), o Quadrante da Classe Média (uma área tranquila, repleta de casas, cortiços, sábios, escribas e onde fica biblioteca da cidade), e do Quadrante dos Nobres (onde vi muitas mansões fabulosas e lugares caros para se comer e beber).
Estas áreas são mantidas muito bem. O Quadrante do Entretenimento, com seus teatros e galerias de arte parece um pouco menos bem conservado. A parte mais decrépita de Glantri City, ouvi dizer, é o seu Quadrante Oeste, onde a classe mais baixa habita. Edifícios desmoronam ao longo de suas passarelas e resíduos entopem seus canais. A área inteira é conhecida por ser um local de jogatinas, organizações ilegais e criminosas. Eu não acho que eu irei visita-la, se não for extremamente necessário. Pelo menos os moradores colocaram o Quartel do Condestável nesta área de alta criminalidade da cidade, as autoridades estão onde eles são mais necessárias. Ouvi dizer que a chefe de polícia é uma mulher rígida com muito bom senso e pouca clemência ou misericórdia para com os criminosos. Sendo um defensor da lei e da ordem, apenas saber que ela é responsável, faz-me sentir um pouco mais seguro aqui na cidade.

No centro da cidade encontra-se o Quadrante da Cidadela, onde o Conselho de Príncipes e do Parlamento se encontram. Já que Glantri City (assim como Trintan anteriormente) não está dentro de um principado, o Conselho governa a capital como um todo. O Conselho também toma decisões que moldam todo o reino, tais como questões de política externa. Preocupações muito menores para o Conselho são tratadas pelo Parlamento um corpo composto de toda a nobreza Glantriana: barões, duques, etc
Todo mundo sabe que os apenas os feiticeiros e magos mandam em Glantri. No entanto, me espantou saber que as leis realmente impedem qualquer pessoa, exceto um mago de tornar-se nobre. Filhos de nobres que nascem sem o talento para a magia não podem suceder seus pais. Eles chamam essa forma de governo "magocracia". Eu a chamo de estranho.

Os magos são geralmente um bando de excêntricos, por isso o fato de que eles governam essa terra faz com que haja algumas ocorrências estranhas. Muitos nobres utilizam-se de profissionais (da Guilda dos Porta-Vozes) para representá-los no Parlamento ou até mesmo em suas próprias sedes locais de governo, uma vez que eles estão ocupados demais pesquisando algum feitiço do que para fazerem seus trabalhos!

Uma coisa que precisa-se ter em mente em relação a este conceito de magocracia, é o pensamento de que todos os nobres são bruxos, mas nem todos os magos de Glantri são nobres. No entanto, independentemente pertencerem ao Parlamento, é claro que um mago sempre gozará de maior status social do que, digamos, um guerreiro. Aqui, a magia é como dinheiro: na maioria dos reinos, os ricos recebem tratamento especial, poder político, status e outras vantagens apenas devido à sua riqueza. Em Glantri não é o dinheiro que concede essas coisas, mas a magia (embora a maioria dos magos sejam ricos - algumas pessoas têm toda a sorte).

Enquanto os magos desfrutam de mais poder e liberdade aqui em Glantri do que praticamente qualquer outro lugar, outros grupos são especialmente limitados ou mesmo proibidos. Religião é proibida aqui, e eu cheguei a ver as pessoas tratarem sacerdotes como condenados cuja culpa é certa, mas ainda não foi provada. As autoridades vigiam sacerdotes muito atentamente: se os policiais virem um deles propagando crenças pessoais ou lançando feitiços similares à magias arcanas, eles prendem o pobre clérigo. No entanto, tal tratamento repulsivo marca uma melhoria em relação ao modo como as pessoas já trataram os sacerdotes nesta terra mágica - e uma melhoria sobre a forma com que os glantrianos tratam anões também. 

Uma contenda antiga entre os anões e esses magos (alimentada pelo fato dos anões possuírem resistência inata a magia, que feiticeiros odeiam e temem) criou uma inimizade de proporções épicas. Anões, se tiverem sorte, encontrar-se-ão simplesmente negada a sua entrada em Glantri. O que permitiu que nosso companheiro anão, Adri Rivensteel, nos acompanhar através da fronteira foi uma capa mágica do disfarce que o faz parecer um menino humano. Os outros comentam que, se descoberto, ele vai acabar o cobaia de teste para experimentos de algum mago louco. Não é difícil entender por que a maioria dos anões não querer vir para cá.

Falando de magos, o Quadrante da Citadela também abriga a Grande Escola de Magia. Depois de todos os dias que passei nesta terra, estou surpreso que eu ter permanecido ignorante sobre a Grande Escola. A observação cuidadosa leva-me a chamar esta instituição a pedra angular da sociedade e do poder Glantriano. Crianças de toda Glantri são enviadas aqui na esperança de que eles despertem o talento para a magia. Não apenas isso, mas os bruxos de todo o mundo vêm aqui para estudar magia. Alguns proclamam a Grande Escola como a maior fonte de receitas para o reino, considerando o alto custo do ensino. Outros consideram-na o maior sorvedouro de recursos da economia Glantriana, devido ao custo proibitivo da manutenção de uma escola de magia. Independente de quem esteja certo (talvez ambas as posições apontem alguma verdade), a escola certamente me impressionou. 

Magos voam para dentro e para fora montados grifos ou sob os seus próprios poderes mágicos. Flashes de luz, em cores que eu nunca vi antes, explodem das janelas quase rotineiramente. Mesmo eu, sem nenhum conhecimento de feitiçaria, posso sentir o pulso vibrante de poder mágico vindo das torres.

Devo parar de escrever agora, pois estou ficando muito cansado, e ainda tenho de verificar os cavalos.

Continua...

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